terça-feira, 28 de julho de 2009

Vinho do mês da Confraria Brasileira de Enoblogs - Casa Valduga Premium Cabernet Franc 2005

Assim que tive a honra de ser convidada a participar da Confraria Brasileira de Enoblogs, corri até o telefone para encontrar o vinho escolhido pelo amigo Gil do Vinho para Todos: um Casa Valduga Premium Cabernet Franc 2005. A certeza era apenas uma - de que seria difícil encontrar um rótulo tão específico no mercado da Veneza Brasileira. Mas tiver que morder minha língua! Na segunda ligação descobri algumas garrafas disponíveis em minha distribuidora preferida.

Cor rubi profundo, halo aquoso praticamente inexistente - fato supreendente para um vinho com quatro anos de garrafa. No nariz, aromas bastante frutados, ameixa seca. Em boca, refrescante, com notas de laranja, framboesa e especiarias - todas as pimentas secas que se possa imaginar. Os taninos eram honestos: nem fortes nem fracos; no ponto para um tinto com bom corpo como este. Degustado dois graus acima da temperatura ideal, já tinha todos seus sabores mascarados pela presença gritante do álcool - 14%! Nem sei se posso chamar as lágrimas de lentas, porque elas praticamente não se moviam dentro da taça :)

Não posso dizer que foi um dos meus prediletos, mas valeu bastante para conhecer melhor o caráter da cabernet franc.

Classificação: \o/ \o/

Trilha sonora - Too much rain, See Your Sunshine e This Never Happened Before, todas do meu amado Paul McCartney.

P.S.: O post foi escrito no dia 27, mas só entrou ao ar em primeiro de agosto, conforme combinado. Alguém sabe como mudar a data no Blogspot?

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Pausa para a brincadeira...


...que ninguém é de ferro.

Zanzando pela internet, acabo de descobrir uma pérola: uma foto do Evandro Santo do Pânico (mais conhecido como Christian Pior) abraçado com um balde de espumante Salton.

Coleeeeeega, apaixonei de vez!!!!

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Vinho como alimento (?)

Acabo de receber via Dona Verônica e-mail marketing sobre um assunto no mínimo estranho. A mensagem convida a participar de um concurso sobre o projeto de Lei que pretende mudar o vinho da categoria de bebida alcoólica para a de alimento. O criador da frase mais original ganha uma viagem ao Chile com acompanhante e uma adega climatizada.

Desculpem a ignorância - mas como assim, Bial?

Tudo bem que motivação é nobre: baixar a quantidade de impostos que incidem sobre a nobre bebida. Mas a história é meio estranha: vinho deixar de ser considerado bebida alcoólica? Pegando emprestado um jargão do Twitter: #comofas?

E aí, o que vocês acham?

Da Série "Como um enoblog pode influenciar sua sexta-feira"


"O Amadeu Brut Rosé foi o primeiro a ser servido. 50% Merlot, 30% Cabernet Sauvignon e 20% Pinot Noir. A cor não é dos rosés do novo mundo, é cor de rosé francês, salmão! No nariz bastante floral, morango e framboesa também. Na boca tem boa cremosidade e frescor. Perlage fino. Um pouco doce."

E agora vou passar o resto do dia morrendo de vontade de experimentar esse Amadeu Brut Rosé.

Brincadeiras à parte, este é um exemplo do poder dos enoblogs: mexer com a cabeça de seus leitores!

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Sim, mas... o que danado é vinho verde?

Hoje, voltando do almoço, meu amigo Ricardo me surpreende com a pergunta do título deste post. Eu, como boa iniciante no mundo dos vinhos, não soube responder - mas resolvi que ia pesquisar de uma vez por todas o assunto. Afinal de contas, a gente não nasce sabendo, certo? Então que jogue a primeira pedra aquele que nunca fantasiou uma taça de vinho verde que fosse de fato... VERDE.

Vamos aos fatos.

1. Vinho verde não é verde (um grande golpe para minha imaginação fértil!). Na verdade, ele é feito de uvas brancas e tintas, e pode ser encontrado nas variações branca, tinta, rosé e espumante. O campeão de vendas, no entanto, é o vinho verde branco;

2. A nomenclatura é exclusiva, sendo atribuída aos vinhos produzidos em uma área do Noroeste de Portugal chamada Região Demarcada dos Vinhos Verdes. Por causa das características específicas deste local, os vinhos verdes possuem (entre outras coisas) uma concentração de ácido málico acima do usual. O que isto quer dizer? Que ao final da fermentação, o vinho verde acaba com uma quantidade maior de ácido carbônico, ganhando um frescor diferenciado - sensação também chamada de "agulhas" na língua. Os verdes brancos também possuem graduações alcoólicas mais baixas, além de aromas frutados e florais mais evidentes - o que os tornam companhia perfeita para pratos como frutos do mar e bacalhau;

3. O vinho verde é o segundo lugar em vendas no mercado português;

4. As principais uvas utilizadas para produzir vinho verde são as seguintes: Loureiro, Alvarinho, Arinto e Trajadura para os brancos; Vinhão para os tintos e Espadeiro para os rosés.

Hmmm... e não é que deu água na boca?

Para mais informações, visite http://www.vinhoverde.pt/

É só comigo...

...ou vocês também ficam extremamente tristes quando veem um vinho a R$ 14,30 na distribuidora, exatamente uma semana depois de terem comprado no supermercado uma garrafa idêntica por R$ 26?

quarta-feira, 22 de julho de 2009

A primeira confraria a gente nunca esquece

Em um post anterior eu já havia comentado sobre minha vontade de participar de uma confraria de amantes do vinho. Além de conhecer poucas pessoas verdadeiramente apreciadoras da bebida, estar em Recife não ajuda muito na árdua tarefa de me inserir em um grupo já formado. Pois qual não foi minha emoção ao abrir o e-mail hoje pela manhã e descobrir que o Vim, Vinho, Venci foi gentilmente convidado para participar da Confraria Brasileira de Enoblogs.

QUANTA HONRA!

Há muito tempo venho admirando a iniciativa, que desde fevereiro de 2007 aproxima pessoas de todos os cantos do país em torno de seu assunto preferido: vinhos! A mecânica é simples: a cada mês um dos confrades escolhe um vinho específico para que os outros degustem - e comentem sobre a experiência em seus blogs.

Espero corresponder à altura.

domingo, 19 de julho de 2009

O mistério do Pol Clement Brut

Depois de um breve hiato devido a compromissos profissionais urgentes, retorno a este espaço para comentar sobre um espumante que conseguiu confundir meu juízo: o Pol Clement Brut. Este marido e eu degustamos ontem na festa de casamento de nosso padrinho (felicidades, dindo!). E foi aprovado, mesmo que esteja envolvido em uma aura de segredo.

Ainda sem saber qual era o teor de açúcar que os donos da festa tinham escolhido, à primeira vista (e cheirada, e gole) eu tive praticamente certeza de que se tratava de um demi-sec feito do já familiar dueto Chardonnay e Riesling com o qual estou acostumada. Só que o mistério estava apenas começando. Ligeiramente doce, o espumante apresentou uma acidez bem baixa comparada com meu favorito, o Salton. Os aromas de frutas cítricas, maçã verde e mel estavam lá, tal qual nos espumantes que já degustei - porém aquela impressão vaga de fermento para pão não deu o ar da graça, e a perlage se mostrou intensa mas fugaz.

Devia ser mesmo um demi-sec basicão, certo?

ERRADO!

Qual não foi minha surpresa ao pedir ao garçom para ver uma das garrafas circulantes e descobrir que o danado do vinho era brut? (E qual não foi a surpresa do garçom ao se deparar com uma convidada mais interessada no rótulo de uma garrafa do que na música bombando na pista de dança? hehehe). Pesquisando na internet, vi que o Pol Clement que tomei é possivelmente fabricado com as castas Chenin Blanc, Sauvignon Blanc e Ugni Blanc. Digo possivelmente porque, por incrível que pareça, o site do fabricante - a Compagnie Française des Grands Vins - não define quais são as uvas utilizadas em seu produto. E o pior: alguns locais na rede afirmam de pés juntos que ele é 100% Chardonnay. Alguém pode me tirar esta dúvida?

Enfim: considerando como correta a informação das três castas, posso afirmar que delas nasceu um espumante suave, delicado e fácil de descer - que o diga minha dinda Bu, que colocou para dentro uma boa quantidade deste belo vinho. No entanto, caso a hipótese do Chardonnay se confirme, vou ter finalmente entendido o quão dramáticas são as diferenças ocasionadas pela variação do quesito terroir.

Resumo da ópera: o francês é sutil, elegante, ótimo para ser servido em festas. Não barra meu Salton Brut, mas é uma grande pedida.

Classificação: \o/ \o/ \o/

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Miolo Seleção Tinto

Finalmente fiz as pazes com a Miolo! Para a segunda edição da Sexta do Vinho com os amigos do trabalho, finalmente descobri qual a procedência do tinto servido em taça pelo La Maza, restaurante altamente pop do Shopping Boa Vista: um Miolo Seleção Cabernet Sauvignon, Merlot e Pinot Noir.

E não é que o danado é uma delícia? Encorpado na medida certa, com acidez controlada e perfumes de frutas vermelhas. Os taninos da cabernet foram devidamente contrabalanceados pela leveza da merlot. Apenas 15% do vinho envelhece em barricas de carvalho americano, o que evita também o excesso de madeira no paladar. Deu certinho com nossa cerimônia de celebração ao fim-de-semana e seus petiscos: bolinhos de queijo e calabresa com fritas.

Mesmo correndo o risco de ser criticada por ter gostado tanto de um produto não-nobre, tenho que admitir: com a taça a R$ 5,00, é um excelente custo-benefício! Ainda mais depois de minhas decepções anteriores com alguns produtos da Miolo.

Classificação: \o/ \o/ \o/ \o/

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Popularizando o vinho!

Ontem tive uma surpresa ao fazer meu passeio de praxe em um grande atacado popular aqui do Recife. (Explico: como aluna de pós-graduação em uma faculdade bem no centro da cidade, frequentemente me vejo na necessidade de matar tempo entre o fim do expediente de trabalho e o início das aulas. Mas enfim). O fato é que esta mega-loja em especial - referência na venda de importados da China, material de construção e utilidades para o lar - agora começou a comercializar vinhos!

Obviamente eu não esperava encontrar de cara vinhos italianos, franceses ou outras preciosidades por lá, mas não é que entre diversas assemblages brancas e tintas, secas e suaves, havia itens como um espumante Prosecco Brut (!) de uma vinícola de Garibaldi chamada Courmayeur? Não conheço a marca - e por isso não posso opinar sobre a qualidade do produto -, mas achei genial essa idéia de trazer o Prosecco para as audiências mais populares! O preço, no entanto, me pareceu meio salgado - pelos R$ 32 cobrados por este Courmayeur eu consigo comprar duas garrafas do meu preferido, o Salton Brut.

De qualquer forma, a iniciativa está de parabéns. E que venham mais opções para compra de vinho!

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Perguntar não ofende

Alguém conhece alguma confraria de vinhos aqui no Recife?

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Sideways e pinot noir


Como amante da sétima arte e iniciante em vinhos, tenho me inspirado em algumas obras cinematográficas para pautar minhas incursões enogastronômicas. Por isso, quando lembrei de Sideways, Oscar de Melhor Roteiro Adaptado de 2004, corri logo para comprar o DVD.

A história é interessante (ainda que o filme tenha decepcionado um pouco), mas o que ficou mesmo da obra foram as paisagens belíssimas dos vinhedos californianos e a ligeira obssessão de um dos protagonistas pelos varietais pinot noir. "É uma uva delicada e difícil de ser cultivada", ele comenta a certa altura - ao que marido fez questão de observar que a partir daquele momento me chamaria de pinot (pela mesma dificuldade no "cultivo" hehehe).
Obviamente, comprei o quanto antes um exemplar de Aresti Pinot Noir Reserva 2007 para tentar entender o que danado ele tanto falava - e pelo jeito, me dei mal. Já na garrafa parecia haver algo estranho com o vinho, como se ele fosse um pouquinho aguado demais para um tinto. A coloração na taça era puxada para o violáceo, mas muito mais transparente do que eu imaginava (e um pouquinho turvo também). Os aromas me pareceram indistintos, sobressaindo-se apenas um toque de pimenta do reino e pimentão verde que se mostrou presente também no sabor. Com um corpo pequeno e pouca dimensão, surpreendeu o fato dele ser tão picante na boca.

Simples demais, estranho demais. Não compraria novamente e continuei sem entender qual a mágica de um bom pinot.

Classificação: \0/

terça-feira, 7 de julho de 2009

Parabéns para o Enoblogs

100 confrades reunidos!

É uma honra participar desta iniciativa.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Terralis Chardonnay Reserve 2005

Uma das grandes dúvidas que me atormentam nesta história de degustar vinhos é saber como comparar experiências novas e antigas. Em minha defesa, devo dizer que sim, uso uma tabelinha para anotar todas as minhas impressões - mas a subjetividade ainda fala alto quando se trata de classificar um vinho como melhor ou pior que outro. "Será que estou viciada na marca X?", me pergunto. A resposta é sempre o eco.

O fato é que às 23h da última sexta-feira, depois do último compromisso de uma semana pra lá de estafante, sentei sozinha no sofá da sala para assistir uma bela comédia romântica. Marido já tinha ido dormir, então aproveitei para cometer todos os pecados que podia de uma só vez. Na mesinha de canto, arrumei um sem-número de petiscos que nem vale a pena nominar. Aos meus pés, um edredom. E a chuva caindo do lado de fora.

Parecia o momento perfeito para abrir minha linda garrafa de Terralis Chardonnay Reserve 2005, certo? Eu, amante do Chardonnay, estava com a faca e o queijo na mão (simbolica e literalmente). A expectativa criada pela experiência quase divinal do Concha Y Toro Sunrise Chardonnay me dizia que seria uma noitada maravilhosa. Qual não foi minha decepção ao sacar a rolha cheia de amor pra dar e descobrir lá dentro um vinho chato, com corpo pequeno, acidez baixa demais e aromas fugidios?

Na taça o danado já me parecia bem menos dourado que o Sunrise - era precisamente de um amarelo pálido, sem lágrimas visíveis (dêem um desconto, já era tarde da noite). E lhe faltava aquela qualidade vibrante, quase "crispy" (não sei como traduzir isto... crocante?) dos chardonnays que já tomei. Na boca, tinha menos dimensão que um copo de água, peso baixo, retrogosto fugaz. Sabores leves de melão e maçã.

Uma pena... se depender desse, vou continuar viciada na marca X.

Classificação: \o/

P.S.: Só agora me ocorreu... será que os quatro anos de garrafa fizeram mal para este vinho?

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Rolhas sintéticas: vilãs?

Continuando a série de posts sobre rolhas, descrevo agora o que aprendi sobre as tão faladas sintéticas.

Devo confessar que meu lado ecológico se dói todas as vezes que vê uma bela garrafa de vinho tampada com uma rolha artificial. Acima de tudo, elas me parecem atentados contra a natureza em miniatura. Mas exatamente de que material elas são feitas? O que os fabricantes têm a dizer sobre seu produto? Vamos às respostas.

As rolhas sintéticas são fabricadas de elastômeros, os mesmos elementos utilizados para produzir alguns utensílios médicos e para uso em bebês. Um ponto a favor, já que segundo a fabricante TopCork, "elas são neutras, não favorecendo a proliferação de bactérias ou conferindo odores estranhos ao produto". Trocando em miúdos: adeus, bouchonée proveniente da rolha de cortiça.

Sem contar que são mais baratas - por incrível que pareça, na minha pesquisa não consegui definir quanto. Mas que são, são.

E também há a praticidade: elas têm uma consistência parecida com a cortiça, exigindo a mesma força para retirada do gargalo dos exemplares naturais. Além disso, podem ser produzidas em cores e tamanhos específicos para cada cliente, adaptando-se a praticamente todos os tipos de garrafa.

Ainda de acordo com o pessoal da TopCork, a rolha sintética oferece uma "excelente vedação para manter os aromas dos vinhos intactos". Mas aí mora o perigo. Conforme li no blog de Adriana Grasso, Vinhos Italianos, "a rolha sintética serve somente para os vinhos que já saem prontos para consumo das vinícolas e não precisam de estágio de envelhecimento na garrafa, isto é, para vinhos que devem ser consumidos jovens." Isto porque ela não tem aquela capacidade miraculosa da cortiça de promover a microoxigenação - e portanto, o aumento da complexidade do vinho com o passar do tempo. Ou seja, rolha de elastômero só seria boa para vinhos de consumo jovem.

Por fim, os fabricantes bradam aos quatro ventos que suas rolhas sintéticas são recicláveis. Porém são feitas de materiais não-renováveis e não-biodegradáveis. Sei não... pode parecer preconceito, mas eu continuo apaixonada pela cortiça.

Vinho para leigos

Desde adolescente sou fã da série For Dummies/Para Leigos da Wiley Publishing, Inc. E não é que ontem, num momento altamente improvável, descobri uma ótima leitura para o fim de semana?

Entrei na Livraria Cultura literalmente para passar uma chuva - um pé d'água torrencial que abateu-se repentinamente sobre a cidade do Recife. Impossibilitada de ir para casa (ou qualquer outro lugar, por causa de uma manifestação nas proximidades), resolvi matar tempo no templo do saber.

Depois de (só pra variar) babar um pouco na estante do Jamie Oliver, encontrei o delicioso Vinho para Leigos, de Ed Mccarthy e Mary Mulligan. Uma leitura divertida, informativa e altamente despretensiosa sobre os mais diversos assuntos ligados à Vitis vinifera: uvas, regiões produtoras, características dos vinhos e mais. Algumas das melhores partes são os Alertas Esnobes - que ensinam a desmascarar - e até impersonar - aqueles enochatos que torcem o nariz para o resto da humanidade como se soubessem o segredo da vida eterna. Uma delícia!

Já li 1/3 e recomendo.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Rolhas: pra que te quero?

Há algum tempo venho pesquisando sobre a diversidade de rolhas existentes no mercado. Temos a de cortiça, a sintética, as práticas screw-caps. Isso sem contar com a tampas metálicas e de pressão. Mas qual será a melhor de todas?

Hoje inicio uma série de posts sobre o assunto - começando com a opção mais clássica, a rolha de cortiça.

Cortiça
A rolha de cortiça tradicional é feita da casca do sobreiro, uma árvore nativa da Península Ibérica, na Europa. Para que a cortiça possa ser "colhida", a árvore precisa de um tempo médio de 10 anos para a casca alcançar a espessura ideal. Isso mesmo! Aquela rolha linda que você joga fora em dois tempos levou uma década inteirinha para se formar. A boa notícia é que este processo não causa danos à árvore. Mas daí até o sobreiro estar pronto novamente para ser utilizado, é preciso esperar mais 10 aninhos.

Marido e eu em Santa Cruz do Sul (RS). Ao fundo, do lado direito, um sobreiro!

Segundo a revista Istoé Dinheiro, somando-se isto ao aumento da produção de vinhos e à restrição do plantio dos sobreiros em apenas algumas áreas do mundo, a cortiça vem se tornando escassa - motivo que alça os exemplares produzidos da forma tradicional ao patamar de uma das matérias primas mais caras do vinho, custando até U$ 1 a unidade!

Outro fator importante é a mágica da microoxigenação proporcionada pela cortiça. Este material, naturalmente de baixa densidade, tem dentro de suas células um gás bastante semelhante ao que encontramos em nossa atmosfera. Acrescente aí uma permeabilidade extremamente específica e voilà! Este conjunto de fatores possibilita a "troca de ar em proporções mínimas e perfeitas" (do Desmistificando o Vinho), permitindo, segundo o site Notas de Degustação "a polimerização de taninos e a consequente evolução do vinho em garrafa". Ou seja, para os vinhos de guarda - aqueles que se beneficiam do envelhecimento para o aumento da complexidade dos sabores e aromas -, a rolha de cortiça é fundamental! E também explica aqueles dois furinhos em cima da cápsula - aquela proteção de metal ou plástico que vem em cima da boca das garrafas. Eles existem para permitir que o ar passe e o envelhecimento aconteça naturalmente. Chique, né? Aprendi no Desmistificando o Vinho!

Infelizmente, nem tudo são flores quando se trata deste material. As rolhas tradicionais são apontadas como responsáveis pelo chamado efeito bouchonée em quase 15% da totalidade dos vinhos. O bouchonée é resultado da contaminação por um composto químico chamado 2-4-6 Tricloroanisol, ou simplesmente TCA, que deixa um gosto de papelão molhado na nobre bebida. Só que, lendo o site Mar de Vinhos, descobri que o TCA pode impregnar-se não só na cortiça como em papéis, plástico e até (pasme!) nas barricas de madeira. Por isso, concordo com o Notas de Degustação quando ele fala que "outras etapas antes do engarrafamento podem contaminar o vinho com o TCA. Ou seja, uma rolha sintética não garante a ausência de TCA em um vinho."

No próximo post, a temida rolha sintética!

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Três vivas para as distribuidoras

Só para fazer graça, resolvi comparar os preços de alguns vinhos praticados por um supermercado e uma distribuidora de alimentos. Sei que não deveria me espantar, mas não há como evitar: como pode um vinho de R$ 18 (na distribuidora) custar assustadores R$ 23,48 no super? Ou um espumante valer R$ 27,98 em um lugar e R$ 15,90 no outro?

Como diria o Zé Ramalho: mistérios da meia-noite que voam longe...

Aproveitei a oportunidade e investi meu rico dinheirinho em um Terralis Chardonnay Reserve 2005 e um Aresti Pinot Noir Reserva 2007 - da distribuidora, claro.

Vamos ver no que dá.

Enoblogs realiza primeiro encontro!

Que legal! O Enoblogs, maior comunidade de blogs sobre vinho do Brasil (da qual esta humilde publicação faz parte), realiza no próximo dia 18/07 seu primeiro encontro. O evento acontece a partir das 12h, no Armazém Gourmet, em Campinas/SP.

Além de juntar a grande confraria de blogueiros, profissionais e apaixonados pelo vinho do Enoblogs, o evento promoverá também uma degustação da linha dos premiados vinhos da Cave de Amadeu.

Vagas limitadas. Para participar, é preciso confirmar presença até 15/07 através do email contato@enoblogs.com.br. Mais informações no Enoblogs.

Aqui de Recife, envio meus desejos de que o encontro seja um grande sucesso!