terça-feira, 29 de dezembro de 2009

A quem interessar possa...

A autora deste blog pede humildes desculpas a seus queridos visitantes pela ausência dos últimos meses. Acontece que, parafraseando o grande Paul McCartney, tem épocas em que tudo na vida vai bem, até que um martelo de prata surge do nada e ressoa -- BANG BANG -- na sua cabeça.

Traduzindo: neste mês de dezembro minha família perdeu um de seus membros mais importantes. E depois disso, até o mais fino dos vinhos perdeu seu gosto.

Por tempo indeterminado.

Aos leitores deste blog, desejo um 2010 cheio de saúde e paz. Espero com fervor que possamos nos reencontrar em breve por meio da paixão pela vitis vinifera.

Grande abraço.

domingo, 25 de outubro de 2009

Perguntar não ofende...

Alguém conhece um restaurante que tenha vinho no menu delivery?

Porque naqueles dias em que você não teve tempo de cozinhar, é bem provável que também não tenha conseguido passar no supermercado para comprar uma boa garrafa da nobre bebida...

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Só pra deixar registrado...

...que o Jamie Oliver está lançando uma aplicação para iPhone com receitas de 20 minutos testadas e aprovadas por ele próprio!

Culinária de Jamie Oliver + vinho = diversão!

Confiram em http://bit.ly/13580b.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Habemus Colheita Tardia!

Só para registrar que marido (re)fez a descoberta do século, e encontrou um lote de Aurora Colheita Tardia 2008 à venda em um supermercado aqui em Recife.

Obviamente, trouxemos uma garrafa para casa (credite a parcimônia à crise financeira mundial).

A esperança é que, com a fonte descoberta, não nos falte jamais.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Mordo minha língua: Marcus James Chardonnay Demi-Sec 2009


Foi literalmente uma compra de impulso: aproveitando o intervalo de 15 minutos no trabalho e pegando embalo em uma semana no mínimo estressante, agarrei duas notas de R$ 10 e saí correndo para a distribuidora vizinha, buscando um vinho que animasse o iminente feriadão do dia das crionças. Sem tempo para pensar muito, saí recitando nomes para a vendedora em busca de algo agradável e que coubesse dentro de minhas esparsas finanças - Salton, Chardonnay, Aurora...

Em trinta segundos a escolha tinha sido feita, sem que eu me detivesse no já conhecido ritual de segurar a garrafa e observar o vinho e as informações do rótulo. Aqui preciso abrir um parênteses e admitir que a pressa me fez quase fuzilar um incauto representante da distribuidora, que inadvertidamente tentou me convencer a levar para casa um Gato Negro. "É ótimo", ele argumentou. "Só se for na sua casa", respondi, esquecendo qualquer resquício de educação doméstica.

Mas continuemos.

Foi só quando cheguei à segurança da minha mesa que me dei conta de que estava em posse de uma bela garrafa de Marcus James Chardonnay Demi-Sec 2009... Ops, eu disse demi-sec?

Macacos me mordam. A rainha do vinho seco escorregou na compra sem querer.

Meio frustrada, mas determinada a não me dar por vencida, resolvi levar o danado para casa e experimentá-lo de qualquer forma. E não é que o simpático Marcus James acabou me conquistando?

Com uma cor dourada, acidez bastante razoável (minha característica preferida na uva chardonnay) e nem um pouquinho do sabor enjoativo de outros vinhos adoçados, este branquinho mostrou-se bastante valente em termos de custo-benefício. Comprado por pouco mais de R$ 11, acompanhou muitíssimo bem uma fornada de bruschettas de tomate e manjericão, sem apresentar, no entanto, a temível ressaca do dia seguinte.

Dois dias depois, vi o mesmíssimo vinho à venda na rede Bompreço por mais de R$ 15.


Classificação: \o/ \o/ \o/

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

O case Calamares: vinho verde que vem com branding!



Olhe para este rótulo e feche os olhos. Que imagens vêm a sua mente?

Já há alguns meses, todas as vezes que adentro qualquer supermercado/atacado/distribuidora de bebidas a curiosidade enológica me impele em direção à estante de vinhos verdes - com tanta força quanto meu sobrinho de sete anos costuma me arrastar para a seção dos Power Rangers nas lojas de brinquedo.

Enquanto meu lado racional - leia-se a carteira - segue adiando o sonho de experimentar tal iguaria, a inteligência (?) emocional vem me proporcionando momentos de reflexão altamente produtiva a respeito do vinho verde mais encontrado aqui em Recife: o Calamares.

Na minha cabeça, o rótulo já diz tudo: tem uns polvos (ou seriam lulas?), ladeando um belo lagostim - que em terras pernambucanas pode ser chamado de pituzão de classe. O nome e a descrição - Vinho Verde, dã! -, e só. O resto da magia fica por conta da garrafa de formato diferenciado, meio bola, meio elipse, mostrando o vinho em todo o seu esplendor e transparência.

O que você imaginaria que uma bebida assim iria te proporcionar? Frescor? elegância? uma tarde ensolarada de setembro a bordo de um iate nas Ilhas Gregas? Eu penso em tudo isso quando vejo uma garrafa de Calamares. E olhe lá - leve em consideração que a pessoa que vos escreve nunca bebeu vinho verde (e muito menos conhece as Ilhas Gregas).

Resumindo, um trabalho de branding danado de bom.

Parada para a cultura: o que é branding mesmo?

"Branding é um trabalho de construção de uma marca junto ao mercado. Cria-se uma imagem que possa ser reconhecida por todo o mercado de forma que o produto que seja rotulado por aquela marca transmita confiança ao consumidor, fazendo-o preferir o produto de “marca” do que outro produto idêntico sem marca (PICCAGLIA Eliel, 2008)."

Fonte: Wikipedia (http://pt.wikipedia.org/wiki/Branding)
Sacou?

Voltemos agora a nossas elucubrações.

Assim como no turismo, no cinema e na literatura, branding também é fundamental no mundo dos vinhos. Uma marca bem arrumada, elementos escolhidos a dedo no rótulo e até uma garrafa específica fazem milagres quando se trata de chamar a atenção em meio a dezenas de concorrentes na prateleira - alguns deles naqueles garrafões pavorosos cobertos por um trançado fake de plástico imitando palha.

Faça uma pesquisa em seu HD mental e coloque no papel: quantos vinhos já não lhe conquistaram antes mesmo do primeiro gole, só por causa da imagem? É por não serem ingênuos que produtores como a Salton e a Miolo (só pra citar nacionais) investem tanto na construção do branding de seus produtos. Um bom exemplo é o Miolo Gamay 2008, que muita gente andou comentando que nem era tão bom, mas bombou em vendas por causa do rótulo fofíssimo desenhado pelo Romero Britto.

Tudo bem que não sou exemplo para nada, mas agora não posso ver a foto de um lagostim que já lembro do tal vinho verde. E das Ilhas Gregas.

O que me faz lembrar... o feriadão de 12 de outubro vem aí. E é bem possível que eu finalmente resolva experimentar uma garrafa de Calamares. Aí eu comento o resultado por aqui.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Esupumante é vinho?

Essa é para satisfazer a curiosidade de marido, que há alguns dias me enviou um e-mail com o seguinte comentário sobre uma matéria do pessoal da Info: "acho que erraram feio no texto, chamando espumante de vinho, certo?"

Errado, marido. Espumante é vinho sim!

Vejam só onde fui encontrar uma definição definitiva (foi mal a aliteração) do que é considerado vinho: no site do Governo Federal do Brasil! De acordo com o artigo terceiro da Lei número 7.678, de 8 de novembro de 1988, "vinho é a bebida obtida pela fermentação alcoólica do mosto simples de uva sã, fresca e madura." Ainda segundo o texto legal, espumante é uma classe de vinhos, assim como o licoroso e o de mesa - com o benefício de ainda ter aquelas deliciosas bolhinhas.

Para comprovar, é só lembrar que o espumante é igualzinho aos vinhos normais, pelo menos até o fim da primeira fermentação. Depois é que eles adicionam mais um pouco de pó-de-pirlimpimpim - nossas amigas leveduras - para que ocorra uma segunda fermentação em condições especiais de pressão, o que faz com que as bolhinhas nasçam, cresçam e fiquem guardadas dentro do precioso líquido, só nos esperando para mergulhar delicadamente dentro da flute!

Mas interessante mesmo foi saber através da matéria da Info que uma garrafa de um litro de champanhe libera até 5 litros de dióxido de carbono através da perlage.

Depois não me venha reclamar da deselegância quando vier a famosa eructação!

Pedimos desculpas pelo transtorno...

Um aviso a quem ainda visita este blog: nos últimos dois meses estivemos passando por uma série de dificuldades técnicas - leia-se a reta final de uma pós-graduação, excesso de trabalho no emprego regular e alguns probleminhas de saúde.

Toda essa explicação é só para ter o prazer de dizer: voltamos agora com a programação normal.

Cheers!

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

As coincidências do universo - Espumante Salton Demi-sec

Sabe aqueles dias em que tem uma vozinha no fundo da sua cabeça te dizendo para fazer uma determinada coisa? Normalmente a gente finge que não está ouvindo, se agarra com o primeiro par de fones de ouvido que encontra e trata logo de abafar essa sensação. Pois domingo passado eu resolvi obedecer o que meu inconsciente estava gritando e mudar totalmente o caminho que estava fazendo - só para dar um pulinho em um dos supermercados lá perto de casa. Sim, você pode me perguntar, e o que danado a voz estava dizendo?

"Vá no supermercado XYZ comprar espumante".

Quem acompanha este blog sabe da minha decepção em comprar vinho em supermercados. Geralmente a garrafa sai pelo dobro do preço cobrado pelas distribuidoras, e as safras não são as mais animadoras. Mesmo sabendo (racionalmente) disso, resolvi arriscar.

Na porta do supermercado, a primeira surpresa. Um cartaz avisando que o estabelecimento estaria fechando para reforma dali a dois dias, e pedindo que os clientes se dirigissem durante este período a outra unidade próxima, pertencente à mesma rede.

E adivinha o que acontece quando uma unidade comercial está fechando?
Isso mesmo - queima de estoque!!!

Parecia mentira, mas não era: os vinhos estavam com até 50% de desconto.

Utilizando-me de todo o meu bom-senso para não sair de lá com o carrinho entupigaitado (cheio, no pernambuquês de minha mãe) de garrafas, levei só dois espumantes do meu produtor favorito, a Salton. Um brut e um demi-sec. Sabe por quanto?

R$ 9,90 cada um.

Para quem se gabava de ter adquirido o mesmo produto na distribuidora por R$ 15,90, aquilo era o céu! Cheguei em casa ainda enlevada, agradecendo às forças cósmicas por ter recebido aquele recadinho do além :P

Enfim, vamos à impressão do espumante demi-sec, o primeiro que degustei:

Visualmente ele já difere um pouquinho da variedade brut, principalmente por ter uma cor mais puxada para o alaranjado. Brilhante, límpido, com perlage intensa e contínua. Obviamente é um pouquinho mais doce do que estou acostumada a tomar - mesmo assim, bastante agradável. Os aromas lembram fermento para pão e frutas cítricas, no mesmo esquema do brut. Os sabores se mostraram muito parecidos com maçã e lima. Só incomodou um amargor bem pronunciado no fim de boca, que não lembro de ter experimentado em outros espumantes.

Gostosinho, mas faltou o frescor da minha versão predileta.

Classificação: \o/ \o/ \o/
(mas se fosse pelo custo-benefício, seria \o/ \o/ \o/ \o/)

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Só uma reflexão

Alguém mais tem a sensação de que o vinho maravilhoso de ontem pode ter gosto de vinagre amanhã, dependendo apenas do estado de espírito de quem o degusta?

Tenho tomado vinhos recentemente - alguns ótimos, outros medianos - mas nenhum me despertou a necessidade de compartilhar a experiência com os cinco leitores desse blog.

Fases da vida, eu presumo.

terça-feira, 28 de julho de 2009

Vinho do mês da Confraria Brasileira de Enoblogs - Casa Valduga Premium Cabernet Franc 2005

Assim que tive a honra de ser convidada a participar da Confraria Brasileira de Enoblogs, corri até o telefone para encontrar o vinho escolhido pelo amigo Gil do Vinho para Todos: um Casa Valduga Premium Cabernet Franc 2005. A certeza era apenas uma - de que seria difícil encontrar um rótulo tão específico no mercado da Veneza Brasileira. Mas tiver que morder minha língua! Na segunda ligação descobri algumas garrafas disponíveis em minha distribuidora preferida.

Cor rubi profundo, halo aquoso praticamente inexistente - fato supreendente para um vinho com quatro anos de garrafa. No nariz, aromas bastante frutados, ameixa seca. Em boca, refrescante, com notas de laranja, framboesa e especiarias - todas as pimentas secas que se possa imaginar. Os taninos eram honestos: nem fortes nem fracos; no ponto para um tinto com bom corpo como este. Degustado dois graus acima da temperatura ideal, já tinha todos seus sabores mascarados pela presença gritante do álcool - 14%! Nem sei se posso chamar as lágrimas de lentas, porque elas praticamente não se moviam dentro da taça :)

Não posso dizer que foi um dos meus prediletos, mas valeu bastante para conhecer melhor o caráter da cabernet franc.

Classificação: \o/ \o/

Trilha sonora - Too much rain, See Your Sunshine e This Never Happened Before, todas do meu amado Paul McCartney.

P.S.: O post foi escrito no dia 27, mas só entrou ao ar em primeiro de agosto, conforme combinado. Alguém sabe como mudar a data no Blogspot?

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Pausa para a brincadeira...


...que ninguém é de ferro.

Zanzando pela internet, acabo de descobrir uma pérola: uma foto do Evandro Santo do Pânico (mais conhecido como Christian Pior) abraçado com um balde de espumante Salton.

Coleeeeeega, apaixonei de vez!!!!

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Vinho como alimento (?)

Acabo de receber via Dona Verônica e-mail marketing sobre um assunto no mínimo estranho. A mensagem convida a participar de um concurso sobre o projeto de Lei que pretende mudar o vinho da categoria de bebida alcoólica para a de alimento. O criador da frase mais original ganha uma viagem ao Chile com acompanhante e uma adega climatizada.

Desculpem a ignorância - mas como assim, Bial?

Tudo bem que motivação é nobre: baixar a quantidade de impostos que incidem sobre a nobre bebida. Mas a história é meio estranha: vinho deixar de ser considerado bebida alcoólica? Pegando emprestado um jargão do Twitter: #comofas?

E aí, o que vocês acham?

Da Série "Como um enoblog pode influenciar sua sexta-feira"


"O Amadeu Brut Rosé foi o primeiro a ser servido. 50% Merlot, 30% Cabernet Sauvignon e 20% Pinot Noir. A cor não é dos rosés do novo mundo, é cor de rosé francês, salmão! No nariz bastante floral, morango e framboesa também. Na boca tem boa cremosidade e frescor. Perlage fino. Um pouco doce."

E agora vou passar o resto do dia morrendo de vontade de experimentar esse Amadeu Brut Rosé.

Brincadeiras à parte, este é um exemplo do poder dos enoblogs: mexer com a cabeça de seus leitores!

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Sim, mas... o que danado é vinho verde?

Hoje, voltando do almoço, meu amigo Ricardo me surpreende com a pergunta do título deste post. Eu, como boa iniciante no mundo dos vinhos, não soube responder - mas resolvi que ia pesquisar de uma vez por todas o assunto. Afinal de contas, a gente não nasce sabendo, certo? Então que jogue a primeira pedra aquele que nunca fantasiou uma taça de vinho verde que fosse de fato... VERDE.

Vamos aos fatos.

1. Vinho verde não é verde (um grande golpe para minha imaginação fértil!). Na verdade, ele é feito de uvas brancas e tintas, e pode ser encontrado nas variações branca, tinta, rosé e espumante. O campeão de vendas, no entanto, é o vinho verde branco;

2. A nomenclatura é exclusiva, sendo atribuída aos vinhos produzidos em uma área do Noroeste de Portugal chamada Região Demarcada dos Vinhos Verdes. Por causa das características específicas deste local, os vinhos verdes possuem (entre outras coisas) uma concentração de ácido málico acima do usual. O que isto quer dizer? Que ao final da fermentação, o vinho verde acaba com uma quantidade maior de ácido carbônico, ganhando um frescor diferenciado - sensação também chamada de "agulhas" na língua. Os verdes brancos também possuem graduações alcoólicas mais baixas, além de aromas frutados e florais mais evidentes - o que os tornam companhia perfeita para pratos como frutos do mar e bacalhau;

3. O vinho verde é o segundo lugar em vendas no mercado português;

4. As principais uvas utilizadas para produzir vinho verde são as seguintes: Loureiro, Alvarinho, Arinto e Trajadura para os brancos; Vinhão para os tintos e Espadeiro para os rosés.

Hmmm... e não é que deu água na boca?

Para mais informações, visite http://www.vinhoverde.pt/

É só comigo...

...ou vocês também ficam extremamente tristes quando veem um vinho a R$ 14,30 na distribuidora, exatamente uma semana depois de terem comprado no supermercado uma garrafa idêntica por R$ 26?

quarta-feira, 22 de julho de 2009

A primeira confraria a gente nunca esquece

Em um post anterior eu já havia comentado sobre minha vontade de participar de uma confraria de amantes do vinho. Além de conhecer poucas pessoas verdadeiramente apreciadoras da bebida, estar em Recife não ajuda muito na árdua tarefa de me inserir em um grupo já formado. Pois qual não foi minha emoção ao abrir o e-mail hoje pela manhã e descobrir que o Vim, Vinho, Venci foi gentilmente convidado para participar da Confraria Brasileira de Enoblogs.

QUANTA HONRA!

Há muito tempo venho admirando a iniciativa, que desde fevereiro de 2007 aproxima pessoas de todos os cantos do país em torno de seu assunto preferido: vinhos! A mecânica é simples: a cada mês um dos confrades escolhe um vinho específico para que os outros degustem - e comentem sobre a experiência em seus blogs.

Espero corresponder à altura.

domingo, 19 de julho de 2009

O mistério do Pol Clement Brut

Depois de um breve hiato devido a compromissos profissionais urgentes, retorno a este espaço para comentar sobre um espumante que conseguiu confundir meu juízo: o Pol Clement Brut. Este marido e eu degustamos ontem na festa de casamento de nosso padrinho (felicidades, dindo!). E foi aprovado, mesmo que esteja envolvido em uma aura de segredo.

Ainda sem saber qual era o teor de açúcar que os donos da festa tinham escolhido, à primeira vista (e cheirada, e gole) eu tive praticamente certeza de que se tratava de um demi-sec feito do já familiar dueto Chardonnay e Riesling com o qual estou acostumada. Só que o mistério estava apenas começando. Ligeiramente doce, o espumante apresentou uma acidez bem baixa comparada com meu favorito, o Salton. Os aromas de frutas cítricas, maçã verde e mel estavam lá, tal qual nos espumantes que já degustei - porém aquela impressão vaga de fermento para pão não deu o ar da graça, e a perlage se mostrou intensa mas fugaz.

Devia ser mesmo um demi-sec basicão, certo?

ERRADO!

Qual não foi minha surpresa ao pedir ao garçom para ver uma das garrafas circulantes e descobrir que o danado do vinho era brut? (E qual não foi a surpresa do garçom ao se deparar com uma convidada mais interessada no rótulo de uma garrafa do que na música bombando na pista de dança? hehehe). Pesquisando na internet, vi que o Pol Clement que tomei é possivelmente fabricado com as castas Chenin Blanc, Sauvignon Blanc e Ugni Blanc. Digo possivelmente porque, por incrível que pareça, o site do fabricante - a Compagnie Française des Grands Vins - não define quais são as uvas utilizadas em seu produto. E o pior: alguns locais na rede afirmam de pés juntos que ele é 100% Chardonnay. Alguém pode me tirar esta dúvida?

Enfim: considerando como correta a informação das três castas, posso afirmar que delas nasceu um espumante suave, delicado e fácil de descer - que o diga minha dinda Bu, que colocou para dentro uma boa quantidade deste belo vinho. No entanto, caso a hipótese do Chardonnay se confirme, vou ter finalmente entendido o quão dramáticas são as diferenças ocasionadas pela variação do quesito terroir.

Resumo da ópera: o francês é sutil, elegante, ótimo para ser servido em festas. Não barra meu Salton Brut, mas é uma grande pedida.

Classificação: \o/ \o/ \o/

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Miolo Seleção Tinto

Finalmente fiz as pazes com a Miolo! Para a segunda edição da Sexta do Vinho com os amigos do trabalho, finalmente descobri qual a procedência do tinto servido em taça pelo La Maza, restaurante altamente pop do Shopping Boa Vista: um Miolo Seleção Cabernet Sauvignon, Merlot e Pinot Noir.

E não é que o danado é uma delícia? Encorpado na medida certa, com acidez controlada e perfumes de frutas vermelhas. Os taninos da cabernet foram devidamente contrabalanceados pela leveza da merlot. Apenas 15% do vinho envelhece em barricas de carvalho americano, o que evita também o excesso de madeira no paladar. Deu certinho com nossa cerimônia de celebração ao fim-de-semana e seus petiscos: bolinhos de queijo e calabresa com fritas.

Mesmo correndo o risco de ser criticada por ter gostado tanto de um produto não-nobre, tenho que admitir: com a taça a R$ 5,00, é um excelente custo-benefício! Ainda mais depois de minhas decepções anteriores com alguns produtos da Miolo.

Classificação: \o/ \o/ \o/ \o/

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Popularizando o vinho!

Ontem tive uma surpresa ao fazer meu passeio de praxe em um grande atacado popular aqui do Recife. (Explico: como aluna de pós-graduação em uma faculdade bem no centro da cidade, frequentemente me vejo na necessidade de matar tempo entre o fim do expediente de trabalho e o início das aulas. Mas enfim). O fato é que esta mega-loja em especial - referência na venda de importados da China, material de construção e utilidades para o lar - agora começou a comercializar vinhos!

Obviamente eu não esperava encontrar de cara vinhos italianos, franceses ou outras preciosidades por lá, mas não é que entre diversas assemblages brancas e tintas, secas e suaves, havia itens como um espumante Prosecco Brut (!) de uma vinícola de Garibaldi chamada Courmayeur? Não conheço a marca - e por isso não posso opinar sobre a qualidade do produto -, mas achei genial essa idéia de trazer o Prosecco para as audiências mais populares! O preço, no entanto, me pareceu meio salgado - pelos R$ 32 cobrados por este Courmayeur eu consigo comprar duas garrafas do meu preferido, o Salton Brut.

De qualquer forma, a iniciativa está de parabéns. E que venham mais opções para compra de vinho!

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Perguntar não ofende

Alguém conhece alguma confraria de vinhos aqui no Recife?

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Sideways e pinot noir


Como amante da sétima arte e iniciante em vinhos, tenho me inspirado em algumas obras cinematográficas para pautar minhas incursões enogastronômicas. Por isso, quando lembrei de Sideways, Oscar de Melhor Roteiro Adaptado de 2004, corri logo para comprar o DVD.

A história é interessante (ainda que o filme tenha decepcionado um pouco), mas o que ficou mesmo da obra foram as paisagens belíssimas dos vinhedos californianos e a ligeira obssessão de um dos protagonistas pelos varietais pinot noir. "É uma uva delicada e difícil de ser cultivada", ele comenta a certa altura - ao que marido fez questão de observar que a partir daquele momento me chamaria de pinot (pela mesma dificuldade no "cultivo" hehehe).
Obviamente, comprei o quanto antes um exemplar de Aresti Pinot Noir Reserva 2007 para tentar entender o que danado ele tanto falava - e pelo jeito, me dei mal. Já na garrafa parecia haver algo estranho com o vinho, como se ele fosse um pouquinho aguado demais para um tinto. A coloração na taça era puxada para o violáceo, mas muito mais transparente do que eu imaginava (e um pouquinho turvo também). Os aromas me pareceram indistintos, sobressaindo-se apenas um toque de pimenta do reino e pimentão verde que se mostrou presente também no sabor. Com um corpo pequeno e pouca dimensão, surpreendeu o fato dele ser tão picante na boca.

Simples demais, estranho demais. Não compraria novamente e continuei sem entender qual a mágica de um bom pinot.

Classificação: \0/

terça-feira, 7 de julho de 2009

Parabéns para o Enoblogs

100 confrades reunidos!

É uma honra participar desta iniciativa.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Terralis Chardonnay Reserve 2005

Uma das grandes dúvidas que me atormentam nesta história de degustar vinhos é saber como comparar experiências novas e antigas. Em minha defesa, devo dizer que sim, uso uma tabelinha para anotar todas as minhas impressões - mas a subjetividade ainda fala alto quando se trata de classificar um vinho como melhor ou pior que outro. "Será que estou viciada na marca X?", me pergunto. A resposta é sempre o eco.

O fato é que às 23h da última sexta-feira, depois do último compromisso de uma semana pra lá de estafante, sentei sozinha no sofá da sala para assistir uma bela comédia romântica. Marido já tinha ido dormir, então aproveitei para cometer todos os pecados que podia de uma só vez. Na mesinha de canto, arrumei um sem-número de petiscos que nem vale a pena nominar. Aos meus pés, um edredom. E a chuva caindo do lado de fora.

Parecia o momento perfeito para abrir minha linda garrafa de Terralis Chardonnay Reserve 2005, certo? Eu, amante do Chardonnay, estava com a faca e o queijo na mão (simbolica e literalmente). A expectativa criada pela experiência quase divinal do Concha Y Toro Sunrise Chardonnay me dizia que seria uma noitada maravilhosa. Qual não foi minha decepção ao sacar a rolha cheia de amor pra dar e descobrir lá dentro um vinho chato, com corpo pequeno, acidez baixa demais e aromas fugidios?

Na taça o danado já me parecia bem menos dourado que o Sunrise - era precisamente de um amarelo pálido, sem lágrimas visíveis (dêem um desconto, já era tarde da noite). E lhe faltava aquela qualidade vibrante, quase "crispy" (não sei como traduzir isto... crocante?) dos chardonnays que já tomei. Na boca, tinha menos dimensão que um copo de água, peso baixo, retrogosto fugaz. Sabores leves de melão e maçã.

Uma pena... se depender desse, vou continuar viciada na marca X.

Classificação: \o/

P.S.: Só agora me ocorreu... será que os quatro anos de garrafa fizeram mal para este vinho?

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Rolhas sintéticas: vilãs?

Continuando a série de posts sobre rolhas, descrevo agora o que aprendi sobre as tão faladas sintéticas.

Devo confessar que meu lado ecológico se dói todas as vezes que vê uma bela garrafa de vinho tampada com uma rolha artificial. Acima de tudo, elas me parecem atentados contra a natureza em miniatura. Mas exatamente de que material elas são feitas? O que os fabricantes têm a dizer sobre seu produto? Vamos às respostas.

As rolhas sintéticas são fabricadas de elastômeros, os mesmos elementos utilizados para produzir alguns utensílios médicos e para uso em bebês. Um ponto a favor, já que segundo a fabricante TopCork, "elas são neutras, não favorecendo a proliferação de bactérias ou conferindo odores estranhos ao produto". Trocando em miúdos: adeus, bouchonée proveniente da rolha de cortiça.

Sem contar que são mais baratas - por incrível que pareça, na minha pesquisa não consegui definir quanto. Mas que são, são.

E também há a praticidade: elas têm uma consistência parecida com a cortiça, exigindo a mesma força para retirada do gargalo dos exemplares naturais. Além disso, podem ser produzidas em cores e tamanhos específicos para cada cliente, adaptando-se a praticamente todos os tipos de garrafa.

Ainda de acordo com o pessoal da TopCork, a rolha sintética oferece uma "excelente vedação para manter os aromas dos vinhos intactos". Mas aí mora o perigo. Conforme li no blog de Adriana Grasso, Vinhos Italianos, "a rolha sintética serve somente para os vinhos que já saem prontos para consumo das vinícolas e não precisam de estágio de envelhecimento na garrafa, isto é, para vinhos que devem ser consumidos jovens." Isto porque ela não tem aquela capacidade miraculosa da cortiça de promover a microoxigenação - e portanto, o aumento da complexidade do vinho com o passar do tempo. Ou seja, rolha de elastômero só seria boa para vinhos de consumo jovem.

Por fim, os fabricantes bradam aos quatro ventos que suas rolhas sintéticas são recicláveis. Porém são feitas de materiais não-renováveis e não-biodegradáveis. Sei não... pode parecer preconceito, mas eu continuo apaixonada pela cortiça.

Vinho para leigos

Desde adolescente sou fã da série For Dummies/Para Leigos da Wiley Publishing, Inc. E não é que ontem, num momento altamente improvável, descobri uma ótima leitura para o fim de semana?

Entrei na Livraria Cultura literalmente para passar uma chuva - um pé d'água torrencial que abateu-se repentinamente sobre a cidade do Recife. Impossibilitada de ir para casa (ou qualquer outro lugar, por causa de uma manifestação nas proximidades), resolvi matar tempo no templo do saber.

Depois de (só pra variar) babar um pouco na estante do Jamie Oliver, encontrei o delicioso Vinho para Leigos, de Ed Mccarthy e Mary Mulligan. Uma leitura divertida, informativa e altamente despretensiosa sobre os mais diversos assuntos ligados à Vitis vinifera: uvas, regiões produtoras, características dos vinhos e mais. Algumas das melhores partes são os Alertas Esnobes - que ensinam a desmascarar - e até impersonar - aqueles enochatos que torcem o nariz para o resto da humanidade como se soubessem o segredo da vida eterna. Uma delícia!

Já li 1/3 e recomendo.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Rolhas: pra que te quero?

Há algum tempo venho pesquisando sobre a diversidade de rolhas existentes no mercado. Temos a de cortiça, a sintética, as práticas screw-caps. Isso sem contar com a tampas metálicas e de pressão. Mas qual será a melhor de todas?

Hoje inicio uma série de posts sobre o assunto - começando com a opção mais clássica, a rolha de cortiça.

Cortiça
A rolha de cortiça tradicional é feita da casca do sobreiro, uma árvore nativa da Península Ibérica, na Europa. Para que a cortiça possa ser "colhida", a árvore precisa de um tempo médio de 10 anos para a casca alcançar a espessura ideal. Isso mesmo! Aquela rolha linda que você joga fora em dois tempos levou uma década inteirinha para se formar. A boa notícia é que este processo não causa danos à árvore. Mas daí até o sobreiro estar pronto novamente para ser utilizado, é preciso esperar mais 10 aninhos.

Marido e eu em Santa Cruz do Sul (RS). Ao fundo, do lado direito, um sobreiro!

Segundo a revista Istoé Dinheiro, somando-se isto ao aumento da produção de vinhos e à restrição do plantio dos sobreiros em apenas algumas áreas do mundo, a cortiça vem se tornando escassa - motivo que alça os exemplares produzidos da forma tradicional ao patamar de uma das matérias primas mais caras do vinho, custando até U$ 1 a unidade!

Outro fator importante é a mágica da microoxigenação proporcionada pela cortiça. Este material, naturalmente de baixa densidade, tem dentro de suas células um gás bastante semelhante ao que encontramos em nossa atmosfera. Acrescente aí uma permeabilidade extremamente específica e voilà! Este conjunto de fatores possibilita a "troca de ar em proporções mínimas e perfeitas" (do Desmistificando o Vinho), permitindo, segundo o site Notas de Degustação "a polimerização de taninos e a consequente evolução do vinho em garrafa". Ou seja, para os vinhos de guarda - aqueles que se beneficiam do envelhecimento para o aumento da complexidade dos sabores e aromas -, a rolha de cortiça é fundamental! E também explica aqueles dois furinhos em cima da cápsula - aquela proteção de metal ou plástico que vem em cima da boca das garrafas. Eles existem para permitir que o ar passe e o envelhecimento aconteça naturalmente. Chique, né? Aprendi no Desmistificando o Vinho!

Infelizmente, nem tudo são flores quando se trata deste material. As rolhas tradicionais são apontadas como responsáveis pelo chamado efeito bouchonée em quase 15% da totalidade dos vinhos. O bouchonée é resultado da contaminação por um composto químico chamado 2-4-6 Tricloroanisol, ou simplesmente TCA, que deixa um gosto de papelão molhado na nobre bebida. Só que, lendo o site Mar de Vinhos, descobri que o TCA pode impregnar-se não só na cortiça como em papéis, plástico e até (pasme!) nas barricas de madeira. Por isso, concordo com o Notas de Degustação quando ele fala que "outras etapas antes do engarrafamento podem contaminar o vinho com o TCA. Ou seja, uma rolha sintética não garante a ausência de TCA em um vinho."

No próximo post, a temida rolha sintética!

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Três vivas para as distribuidoras

Só para fazer graça, resolvi comparar os preços de alguns vinhos praticados por um supermercado e uma distribuidora de alimentos. Sei que não deveria me espantar, mas não há como evitar: como pode um vinho de R$ 18 (na distribuidora) custar assustadores R$ 23,48 no super? Ou um espumante valer R$ 27,98 em um lugar e R$ 15,90 no outro?

Como diria o Zé Ramalho: mistérios da meia-noite que voam longe...

Aproveitei a oportunidade e investi meu rico dinheirinho em um Terralis Chardonnay Reserve 2005 e um Aresti Pinot Noir Reserva 2007 - da distribuidora, claro.

Vamos ver no que dá.

Enoblogs realiza primeiro encontro!

Que legal! O Enoblogs, maior comunidade de blogs sobre vinho do Brasil (da qual esta humilde publicação faz parte), realiza no próximo dia 18/07 seu primeiro encontro. O evento acontece a partir das 12h, no Armazém Gourmet, em Campinas/SP.

Além de juntar a grande confraria de blogueiros, profissionais e apaixonados pelo vinho do Enoblogs, o evento promoverá também uma degustação da linha dos premiados vinhos da Cave de Amadeu.

Vagas limitadas. Para participar, é preciso confirmar presença até 15/07 através do email contato@enoblogs.com.br. Mais informações no Enoblogs.

Aqui de Recife, envio meus desejos de que o encontro seja um grande sucesso!

terça-feira, 30 de junho de 2009

Miolo Seleção Chardonnay, Riesling e Sauvignon Blanc 2008

Ou: como um bom almoço levantou um vinho não tão bom assim
Ou: Chiwake - uma experiência sensorial

Já diriam nossas avós: a experiência é mãe de todas as ciências. E foi justamente na base do empirismo que descobri na semana passada que sim, é possível transformar um vinho não tão bom em um acompanhamento razoável - dependendo da harmonização.

A situação em questão foi minha segunda (e última) escapulida com o pessoal do trabalho para aproveitar o Recife Restaurant Week. Nossa escolha de local foi o Chiwake, um peruano charmosíssimo localizado no bairro do Espinheiro. E devo dizer, foi uma experiência altamente sensorial.

Começamos pelo olfato: já na entrada, fomos agraciados com um ambiente delicadamente perfumado com aroma de canela. Como decidimos chegar cedo para o almoço, nosso tato também foi premiado; em pouco tempo estávamos confortavelmente acomodados em um das mesas do salão frontal - com destaque para um detalhe que fez toda a diferença: uma pequena plataforma embaixo de cada mesa, específica para acomodar as (cada-dia-mais-maxi) bolsas ostentadas pelos exemplares do sexo feminino.

O atendimento merece uma descrição à parte. Foi a primeira vez que estive em um restaurante em que o garçom sabia exatamente TUDO sobre a carta de vinhos! Infelizmente isto ainda é uma raridade nas comedorias classe-média que frequento aqui no Recife.

O menu do Chiwake para o Restaurant Week, apesar de contido em termos de volume, estava extremamente saboroso: a entrada era um mini cebiche de pescado com um forte toque de limão, acompanhado de milho verde e uma fina lâmina de batata doce. No prato principal, filé alto grelhado com purê de jerimum, feijão com chimichurri e couve crispy. E para a sobremesa, um pecado em forma de torta de graviola.

Para acompanhar, eu - que estava louca para tomar um chardonnay - acabei pedindo meia garrafa de um Miolo Seleção 2008, corte de chardonnay, riesling e sauvignon blanc. Tudo bem, vamos dar um desconto: desde o princípio eu sabia que o vinho não ia dar nem um pouco certo com a comida, mas tem dias que o capricho e a vontade de experimentar falam mais alto. Então lá fui eu, com meu branquinho na mão, fazer o ritual de degustação. O vinho tinha uma cor super pálida na taça, com lágrimas grossas. Os aromas me lembraram muito umbu (já estou começando a sentir odores regionais!), maçã verde, abacaxi, mel e frutas cítricas.

Em boca este Miolo decepcionou um pouco: era leve demais, simples, com pouquíssimo corpo. Mas na hora, junto com aquele almoço maravilhoso, quem se importou? Foi uma das ocasiões em que, de fato, comemos agradecendo a Deus pela dádiva do paladar.

Enxerida, resolvi levar de lembrança a garrafa de 375 ml do vinho, ainda com um quarto de seu conteúdo. E não é que, experimentando o resto depois, me dei conta de que sozinho ele tem praticamente gosto de água? Só consigo pensar a refeição que salvou a bebida...

Enfim - meu branco favorito continua sendo o Concha Y Toro Sunrise Chardonnay.

Por fim - mas não menos importante, minha última impressão sensorial sobre o Chiwake. Ao fim da refeição o barulho dentro do restaurante era tanto (mas tanto, mas tanto), que ao sair para a rua tive a grata sensação de estar entrando em um mosteiro. Uma pena...

Classificação (do vinho): \o/

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Notícia fresquinha

Do Diário de Pernambuco de 27/06/09 - Caderno Viver, Coluna João Alberto.

Cálices - A Miolo traz ao Brasil nos dias 3 e 4, o francês Michel Rolland, um dos mais famosos enólogos do mundo, consultor da vinícola desde 2003, para apresentar os principais lançamentos da empresa para este ano.

A notícia oficial está no site da Miolo.

A pergunta que não quer calar é: onde vai ser?

sábado, 27 de junho de 2009

Concha Y Toro Reservado Cabernet Sauvignon 2008

"Ele é gostoso e tem cheiro de fruta". Foi assim que marido sugeriu que começasse este post sobre o Concha Y Toro Reservado Cabernet Sauvignon 2008. E ainda continuou: "Tem um aroma forte e é saboroso, apesar daquele amargo no final. O quanto mais gelado, melhor".

Vamos partir daí para descrever melhor o vinho. Aliás, melhor começar do princípio: o porque de Concha Y Toro. O fato é que o renome desta marca tem se confirmado todas as vezes que experimentamos algum produto deles: primeiro foi o Sunrise Chardonnay, excelente (mais ainda depois de ter provado esta semana um corte de chardonnay, riesling e sauvignon blanc da Miolo com gosto de água... mas aí já é outra história). Agora apostamos em um tinto para ver em que bicho dava.

Na taça a aparência era brilhante e límpida, com uma forte cor púrpura. O halo aquoso era mínimo, indicando um vinho super jovem, com potencial de melhorar ainda mais depois de uns dois anos de garrafa. Como marido disse, "é gostoso e tem cheiro de fruta". Mas vamos ver se eu consigo elaborar melhor essa descrição :)

Com odores complexos e persistentes, este cabernet sauvignon nos presenteou com aromas de figo, rosas, terra e um retrogosto delicioso de grama cortada. Também senti evidências de madeira e tostado, bastante equilibrados com um álcool super leve, mesmo com o teor de 12,5%. Fiquei imaginando como o corpo médio, acidez moderada e taninos suaves estariam daqui a algum tempo - acho que vale a pena guardar algumas garrafas para o futuro. E obviamente que o preço foi destaque nesta compra: por volta de R$ 18 na RM Express, sempre ela.

Resumo da ópera: vou precisar me controlar para não passar a comprar só Concha Y Toro! Ainda mais que estou procurando um bom Pinot para experimentar - alguém tem uma sugestão em conta?

Classificação: \o/ \o/ \o/ \o/

Música de fundo enquanto escrevia este post: Never can say goodbye, do Jackson Five. Obrigada, Michael!

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Enoblogs e assessorias de imprensa

Existe um debate que anda pegando fogo recentemente - no mundo dos enoblogs e dentro da minha cabeça. O assunto não poderia falar mais sobre mim: é o conflito entre ter um blog por prazer (o que eu faço) e ser alvo de um assessor de imprensa (o que eu sou) ávido por divulgar seus clientes. Começou quando li este post no Vinhos e Vinhas, e continuou com a observação da realidade no mundo de comunicação empresarial ao meu redor.

Eu conheço jornalistas donos de blogs que não só encorajam as assessorias a enviar releases para divulgação como também pedem para receber produtos e amostras, só 'para ilustrar melhor os textos'. Se eles estão certos? Na minha humilde opinião, até certo ponto, sim.

Acredito que receber um press release de uma assessoria de imprensa é, além de uma certa honra para o blogueiro (que está sendo reconhecido como formador de opinião), uma grande oportunidade de ficar sabendo de assuntos, tendências e lançamentos que ele talvez não tivesse oportunidade de descobrir se não fosse essa mãozinha dos coleguinhas jornalistas. Imagina só, um blogueiro sendo convidado para uma conferência de imprensa ou degustação com especialistas! É ou não é a glória?

Então é assim: recebi uma sugestão de pauta de um fabricante? Ótimo!
Meu trabalho para por aí? Certamente que não.

A partir deste momento é que entra o bom senso do dono da mídia - nome chique para designar a pessoa do blogueiro. Ele, enquanto Assis Chateaubriand de seus próprios domínios, é responsável por definir se aquela sugestão vale a pena ou não; se condiz com a realidade; se a banda toca mesmo daquele jeito. Se você tem seu blog só pela diversão e amor ao que escreve e vive sendo importunado por jornalistas chatos, a saída é simples: criar um filtro jogando as mensagens deles diretamente na caixa de lixo.

Mas se você realmente leva as sugestões de pauta em consideração, é hora de usar seu senso crítico sobre elas. E aí é que eu não acho legal receber presentinhos de empresas sobre as quais se escreve.

É preciso isenção (e não apenas cojones) para dizer - por exemplo - que o tal vinho Gato Negro é uma das piores coisas que já passaram pela porta da sua casa. Se esse post fosse fruto de um mimozinho de fabricante, será que eu teria me dado ao luxo de encarnar Paulo Francis e detonar o produto? Gosto de pensar que tenho meus princípios, mas é bem provável que eu tivesse inventado uma balela qualquer que me isentasse de dar minha verdadeira opinião.

Muita gente pode ter uma posição contrária à minha e simplesmente achar esses tais press releases uma encheção de saco - mas meu lado assessor de imprensa também fala alto. Enquanto profissionais de comunicação, estamos correndo como loucos para nos adaptar a este novo contexto, em que a mídia dita "oficial" (jornais, tvs e rádios) passa a concorrer enquanto fonte de informação com os conteúdos criados na internet pelos próprios cidadãos. Este fenômeno tem mexido com a cabeça de muita gente no meio, e nós de fato ainda estamos batendo cabeça para entender o caminho correto.

Estamos vendo o futuro sendo criado a cada dia! Não sei se estamos certos ou não, mas pelo menos estamos contribuindo para o desenrolar da história.

Enquanto isso, vou dando minhas opiniões sobre o que der na telha :)

Só para fazer suspense: no próximo post, meu encontro (e de marido!) com um BBB chileno.

Dos aromas

Já há algum tempo, marido tem sido alvo de uma perseguição implacável por parte de minha pessoa - mas com um nobre objetivo: fazê-lo relatar os aromas dos vinhos que andamos a experimentar. Invariavelmente, a resposta que obtenho do cidadão é: "Como eu vou saber se este vinho tem aroma de carvalho se eu nunca cheirei um carvalho na vida?". E não é que ontem, assistindo ao primeiro episódio de Big Wine Adventure, as observações de meu consorte tiveram eco nas sábias palavras de James May?

O fato (ou wine fact, como diria James) é que não adianta pedir a alguém para descrever os aromas complexos de um vinho sem que este alguém antes conheça e memorize os odores que possam aparecer. Por isso mesmo Oz colocou o pobre James para cheirar desde pêssegos, folhas e grama até elementos pouco ortodoxos como sola de sapato e caquinha de vaca ("Você não precisava me fazer cheirar estrume para eu saber que um vinho com este aroma não presta, Oz!").

O que nos coloca - a mim e a marido - em uma posição ainda mais desafiadora! Estando em pleno Nordeste-maravilha, onde abundam frutas como siriguela, cambará, mangaba, umbu, cajá, pitomba, sapoti e oiti*, para aprender mais sobre vinhos precisamos nos familiarizar com o aroma de elementos quase alienígenas - como amoras, mirtilos e framboesas.

E aí, o que se faz?

Enquanto não encontro uma resposta, vou aproveitando cada ia ao supermercado para aguçar o olfato.

* meus agradecimentos a dona Verônica, pela contribuição na lista de frutas regionais.

terça-feira, 23 de junho de 2009

Big Wine Adventure!

Graças à internet, mãe de todas as descobertas, dei de cara com um programa simplesmente genial produzido pela BBC de Londres: Big Wine Adventure.

A série conta as aventuras de James May, boca-suja apaixonado por carros, caminhões, tratores e tudo que seja movido a motor, e Oz Clarke, especialista em vinhos e no típico sarcasmo britânico. Juntos, eles realizam uma viagem de um mês pelo interior da França, conhecendo todos os mais maravilhosos vinhedos do país.

Só para aumentar a saudade da semana que passamos no Vale dos Vinhedos - marido e sua curiosidade científica fazendo o papel de Oz, enquanto eu era o James da história, só entornando!

Confira no YouTube (sem legendas).

Gato por lebre

O que você faz quando vai em um restaurante e consome uma taça de vinho, crente que está tomando um varietal maravilhoso, e três dias depois descobre que bebeu algo que poderia muito bem ser uma caneca de Carreteiro?

Hmmmm.... tá bom, sempre peça para ver a garrafa.


Salton Brut Reserva Ouro

Tarefa difícil. Eu, que já sou apaixonada pelo Salton Brut tradicional, obviamente precisava experimentar o Reserva Ouro - mas não imaginava que seria tão complicado diferenciar os dois espumantes da produtora gaúcha.

Minha primeira impressão é que o Ouro, que é elaborado com 80% de chardonnay e 20% riesling, se destacaria de seu similar "menos nobre" pela fermentação de 20% do vinho em barris de carvalho (novo, norte americano, meio tostado, segundo o site do fabricante). Mas não é que esta passagem por madeira é altamente sutil? O tempo nas barricas pareceu ter apenas conferido ao espumante mais corpo e delicadeza, decisivamente amaciando o resquício de amargor no fim de boca da bebida.

A perlage pareceu ser ainda mais abundante, e os aromas continuam refrescantes, misturando cítricos e maçã verde com um leve toque de fermento para pão.

Melhor parte: graças ao milagre das distribuidoras, consegui esta garrafa de Reserva Ouro pelo mesmo preço que paguei num supermercado pela versão tradicional - R$ 21,00. E viva a RM Express!

Acho que, no final das contas, apesar de serem diferentes os dois espumantes conseguem a mesma classificação em meu coração.

Classificação: \o/ \o/ \o/ \o/

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Recife Restaurant Week: a comida foi show. Mas o vinho...

E não é que a vontade se tornou realidade? Em plena quinta de trabalho, acabei tendo o gostinho de aproveitar a Recife Restaurant Week nada mais, nada menos que na Oficina do Sabor - simplesmente "O" restaurante mais conceituado de todo o estado de Pernambuco.

No cardápio do almoço, oferecido durante o evento por módicos R$ 27, saladinha de siri com manga de entrada, pernil de cabrito ao molho de especiarias com mix de batata e tortinha sertaneja de sobremesa.

Claaaaaro que eu não poderia deixar de combinar isso com uma (meia) taça de vinho - segundo o garçom, um chileno Tantehue Cabernet Sauvignon de safra desconhecida, servido à temperatura ambiente (que em Recife significa pelo menos 28 graus) e cheio (repleto, ENTUPIDO MESMO) de partículas em suspensão, a despeito de ter sido lindamente servido em um decanter e lá ter ficado pelo menos uns dez minutos antes de ir para a taça. O que sobrou na boca foi uma mistura de ranço de madeira e álcool.

Ainda bem que o almoço compensou - e mais ainda a notícia que veio depois: o preço do Concha Y Toro Chardonnay na distribuidora aqui do lado, de exatos R$ 12,80. Deus é pai.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Vamos ser confrades?


Acabo de ler um post muito legal no blog Vinhos de Corte. O assunto? Confrarias.

Como bem colocou Daniel Perches, o autor, todo mundo deveria participar de uma confraria de vinhos. Porque um dos grandes baratos do vinho é justamente comentar, compartilhar, discutir. É tânico? ácido? amargo? Sem contar que quando são várias pessoas, podemos também lidar com um universo de várias garrafas, aumentando nossa capacidade de comparação.

Eu, por estar começando nos vinhos, sinto muita vontade de participar de uma confraria. Normalmente somos só eu e marido - e ele nunca bebe mais de uma taça, deixando o resto do trabalho duro para mim. E estar em Recife não facilita em nada minha vida...

Para quem quiser ler o texto completo do Vinhos de Corte.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Fuçando por aí

Fiquei muito curiosa com uma indicação de distribuidora de bebidas lá do Escrivinhos: a Atacamax. Isso porque pelo endereço - Rua do Brum, 275, Bairro do Recife - descobri que eu estava sentada em cima do baú de ouro.

Explico: da janela do trabalho, vejo o número 262 da Rua do Brum. Ou seja, a Atacamax é meu vizinho do lado direito.

Em breve, notícias de minha incursão por lá.

terça-feira, 16 de junho de 2009

Miolo Terranova Late Harvest Moscatel 2005

Um vinho curioso, como bem destacou marido. Produzido por uma empresa do Sul, com uvas cultivadas em Pernambuco e engarrafado na Bahia, o Miolo Terranova Late Harvest foi uma tentativa de encontrar um vinho que pudesse matar a saudade do Colheita Tardia Malvasia/Semillon da Aurora - que não encontramos em Recife de jeito nenhum.

E não é que superou as expectativas?

É de fato um vinho bem untuoso, com lágrimas lentas. Com uma bela cor dourada, a primeira coisa que me chamou atenção foi o aroma de vinho barricado (aprendi essa ontem, assistindo o Menu Confiança da GNT!). E de fato: ele passa algum tempo em carvalho para adquirir complexidade. Depois da madeira, o mais evidente em meu nariz foi o mel.

Os 14% de graduação alcoólica me fizeram ter cuidado na hora de degustar, já que estou tomando remédios fortes para uma crise de coluna. Deu para ficar mole, mas nada a mais :). Melhor para marido, que levou a melhor! Mas no fim, ele acabou reclamando de um amargorzinho, que no Aurora Colheita Tardia não é percebido.

Paciência, né?

Classificação: \o/ \o/ \o/

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Quem disse que é preciso nascer sabendo?


Para quem, como eu, está iniciando paladar e olfato no mundo do vinho, nada mais adequado que essa "cola": dois exemplos de rodas de aromas que podem muito bem ajudar na hora de identificar aquele perfuminho diferente no fundo da taça.

As imagens foram pescadas do Google, então agradeço a seus autores, seja lá quem sejam!

Ê vontade

Recife Restaurant Week: almoço e jantar em conta
Publicado em 12.06.2009, às 11h32

Flávia de Gusmão
Do Jornal do Commercio

Está de volta, a partir desta segunda-feira, até o dia 28 de junho, o Recife Restaurant Week que, no ano passado, deixou alguns donos de restaurantes como sorriso de orelha a orelha e a clientela feliz da vida com a oportunidade. Uma parceria que carrega a melhor das premissas: todos têm a ganhar. O circuito Restaurant Week nasceu há 12 anos em Nova Iorque e, desde então, acontece em mais de 100 cidades ao redor do mundo como Paris, Boston e Washington D.C. No Brasil, o evento estreou em São Paulo e Recife foi a segunda capital a sediá-lo.

Os restaurantes que se engajam na idéia assumem o compromisso de formular um menu degustação (almoço e/ou jantar) a um preço mais acessível do que aquele que eles usualmente praticam. Já vemos, a partir daí, que o convite para integrar esta lista é distribuído entre aquelas casas que não praticam uma política de preços populares.

Os menus completos (entrada, prato principal e sobremesa) estão tabelados em R$ 27 (almoço) R$ 41 (jantar). Em cada refeição, R$ 2 serão destinados para o Instituto Helena Andrade, entidade sem fins lucrativos.

(...)

Mais em http://jc.uol.com.br/canal/gastronomia/noticia/2009/06/12/recife-restaurant-week-almoco-e-jantar-em-conta-190438.php

Do Escrivinhos

Zahil e Nez oferecem série de cursos sobre vinhos no Recife:

29/06 - Iniciação ao mundo dos vinhos
06/07 - Vinhos só para elas
07/07 - Vinho: dois a dois

R$ 120 por pessoa.

Ah, vontade....

Mais informações aqui.

sábado, 13 de junho de 2009

Concha Y Toro Sunrise Chardonnay 2006

Movida pela curiosidade sobre as uvas que compõem meu espumante favorito, esta semana resolvi experimentar um bom Chardonnay. E como tive a oportunidade de voltar à distribuidora de bebidas e alimentos RM Express, não percisei desembolsar muitos reais para levar para casa um Concha Y Toro Sunrise Chardonnay 2006. Segundo o fabricante, os vinhedos Sunrise recebem em média 300 dias de sol ao ano, gerando uvas excepcionais em sua madurez, um bom presságio. E não é que foi mesmo paixão ao primeiro gole?

Como eu esperava, o Concha Y Toro Sunrise Chardonnay é de uma delicadeza incrível. De um amarelo brilhante, quase dourado, este vinho apresentou pequenas partículas escuras em suspensão, que eu acredito terem vindo da rolha - parcialmente destruída quando a garrafa foi aberta. Com aromas refrescantes lembrando abacaxi e melão maduro, o vinho mostrou pequenas lágrimas lentas, denunciando seu teor alcoólico de 13%.

O sabor não poderia ser mais agradável. Consegui sentir explodindo na boca sabores como abacaxi e maçã verde, talvez um pouco de banana. O corpo é médio, sem decepcionar, e a acidez mostrou-se peça chave no meu deslumbramento pelo vinho. Degustei boa parte dele na sexta-feira à noite, em jantar com marido enquando assistíamos o dvd de Sideways; no dia seguinte, no entanto, o vinho parecia ter evoluído dentro da garrafa, mostrando-se ainda mais delicado ao paladar. Não percebi muita interferência de taninos, e o after-taste foi longo e agradabilíssimo.

Horas depois de consumir, não senti nenhum indício de ressaca, o que conta mais pontos ainda para este chardonnay. O único ponto negativo foi o aparecimento de uma certa azia - que também pode ser atribuída à pizza de calabresa, prato principal do jantar de sexta.

Adorei, principalmente pelo custo-benefício. Acho que vou economizar um pouco para em breve poder experimentar o Casillero del Diablo Chardonnay.

Concha Y Toro, gostei de você!

Classificação: \o/ \o/ \o/ \o/

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Salton Volpi Cabernet Sauvignon 2007

Elaborado a partir de um corte harmônico de 85% Cabernet Sauvignon, 5% Merlot, 5% Tannat e 5% Cabernet Franc. Comprei este vinho mais pela vontade de experimentar um Volpi, tão bem-falado na comunidade enófila, que pela inclinação pela Cabernet Sauvignon. Marido foi o primeiro a dizer que essa não era a uva preferida dele - justiça seja feita, se depender do cidadão a favorita lá em casa continua sendo a malvasia -, mas resolvi apostar.

E não é que deu certo? Os taninos estavam bem menos pronunciados que os da mesma casta que degustamos durante nossa viagem pelo sul, e os aromas pareciam explodir nas narinas, com predominância de frutos secos. Não senti quase ou nenhuma presença de madeira, o que agora me parece bem curioso. A cor era de um rubi forte, com borda aquosa mínima - em alguns anos o danado deve estar ainda melhor. Finalmente consegui identificar as tais lágrimas do vinho - e lá estavam elas, grossas, lentas a abundantes. Que alegria! Extremamente bem equilibrado, acidez no ponto, teor alcoólico idem - aliás, só percebi o álcool quando minhas bochechas ameaçaram ficar dormentes, heheheh.

Pela primeira vez, marido tomou junto comigo. Aprovadíssimo.

Classificação: \o/ \o/ \o/

Espumante Brut Club Des Sommeliers

Comprei esse num fim de tarde preguiçosa de sábado, como uma alternativa para não abrir a última garrafa de Salton da nossa mini-adega. A idéia era me forçar a não beber a garrafa inteira de uma só vez - propósito alcançado em parte pela minha força de vontade, em parte pela baixa qualidade do vinho.

Pelo que li na internet, o Club Des Sommeliers é uma segunda marca da Miolo, produzida exclusivamente para o Grupo Pão de Açúcar (comprei este no Comprebem), para ser comercializado a preços baixos (e nem foi tão baixo assim - R$ 21, comparados aos R$ 15 que paguei pelo Salton Brut na RM Express). Não me liguei em hora nenhuma que o danado é feito pelo método tradicional - acho que foi minha primeira compra fora dos espumantes charmat, e no final das contas acabei decepcionada. A cor é puxada para o palha, com aroma frutado característico. A perlage é pouquíssimo persistente e o aroma do álcool é claramente perceptível cinco minutos depois que o espumante vai para a flute. O retrogosto é amargo - muito mais do que eu considero agradável, e olhe que eu bebo chá de boldo por prazer.

Concordei com o camarada do Vinho para Todos: fraco. Menos um na minha lista para comprar novamente.

Em breve comento aqui sobre o sucesso do Salton Volpi Cabernet Sauvignon. Esse até marido aprovou.

Classificação: \o/ \o/

sábado, 30 de maio de 2009

Espumante Salton Brut

O sabor é maravilhoso: marcante sem ser desarmônico, com uma acidez residual que torna a experiência mais que agradável. Fabricado com uvas chardonnay e riesling (ainda não degustei nenhum chardonnay, acho que será a próxima pedida). A tonalidade é palha e o aroma é bem cítrico, lembrando um pouco maçã verde. A perlage é abundante e faz cosquinhas no nariz. O preço é altamente acessível para um produto tão bom. Harmonizado com gorgonzola, salaminho com pistache e uma bela companhia.

Amo amo amo amo.

Classificação: \o/ \o/ \o/ \o/

sábado, 23 de maio de 2009

Gato Negro Carménère 2007

Ontem depois de mais um longo dia de trabalho (e um coxão de bode espetacular no almoço) chegou a hora de experimentar a primeira das valiosíssimas aquisições realizadas na distribuidora de alimentos e bebidas RM Express.

A pedida da noite foi um Gato Negro Carménère 2007, que custou a bagatela de R$ 14,90. A aparência do vinho estava dentro dos conformes - brilhante e límpido, de um púrpura intenso com um pequeníssimo halo aquoso, o que até onde entendi mostra um potencial de guarda de mais alguns anos.

Os aromas eram suaves e pouco persistentes, com alguma complexidade. Senti a presença marcante do sabor da uva e alguns traços de pimentão verde e tabaco. Ainda vou levar algum tempo para identificar outros tipos de aroma em vinhos, então ter reparado nisso já foi uma vitória. A madeira marcava leve presença, a textura era muito sedosa e os taninos extremamente amaciados. O equilíbrio era bom, mas senti falta de um corpo mais pronunciado - parecia que o vinho escorregava dentro da boca sem deixar maiores efeitos.

A graça é que, como boa matuta, entornei praticamente a garrafa inteira - o que me proporcionou um fenomenal black-out como nunca antes ocorrido na história. Lembro de ter colocado a garrafa vazia ao lado do cesto de lixo na área de serviço e deitado no sofá com marido para assistir Harry Potter e o Cálice de Fogo. Lembro de apenas UMA FRASE do filme: o menino que virou vampiro em Twilight pedindo a Harry para levar seu corpo para o pai. Não faço idéia de como cheguei na cama. Quando me dei conta, já era sábado de manhã.

Resumo da ópera: um vinho leve e suave, mas que não deve ser subestimado. O álcool me pegou de jeito, deixando aquele enjoo residual que acaba com qualquer manhã de sábado. Pelo menos uma coisa aprendi: uma taça de cada vez.

De preferência, acompanhada de um bom copão de água.

P.S: Acabei de receber um telefonema do lado gaúcho da família que só comprovou o que eu desconfiava: Gato Negro nem pensar. Então tá então, DISSO eu espero me lembrar.

Classificação: \o/ \o/

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Uma paixão recém descoberta


Cabernet sauvignon, malvasia bianca, merlot e tannat. Da mais recente viagem ao Rio Grande do Sul, além de lembranças magníficas e fotos idem, acabei trazendo um gosto até hoje insuspeito: o interesse por vinhos. Obviamente que cinco dias de degustação intensa no Vale dos Vinhedos fizeram a sua parte, mas acho que o que mais marcou, no final das contas, foi minha última noite gaúcha - regada a espumante brut Salton e devidamente harmonizada com uma grande companhia (o grandão da foto acima).

De volta em casa, o interesse pelo assunto só fez crescer, e à medida que o tempo e a verba permitem, estou me dando ao luxo de investir neste prazer - experimentar um bom vinho embaixo do edredom assistindo com maridão nossos filminhos de sempre.

A partir de agora, passo a registrar nesse blog minhas incursões no mundo da vitis vinifera.

E que nunca nos falte.

P.S.: Só pra registrar, abaixo vai a trilha sonora da gréia (bagunça, em bom pernambuquês) daquela semana maravilhosa no Vale dos Vinhedos.